A tradução é ‘passos livres’, mas ‘mola nos pés’ definiria perfeitamente uma sensação da internet: o free step, dança que virou mania na periferia de Belém e mistura ritmos diferentes como break, hip hop e psy trance. Tudo em velocidade máxima. Conhecido como ‘Fatal’ no bairro do Mangueirão, Alisson Frazão, 18 anos, viu sua rotina mudar radicalmente há cerca de um ano e meio quando iniciou uma paixão virtual. “Descobri o free step no You Tube e não queria saber de outra coisa. Passava horas assistindo aos vídeos até aprender. A verdade é que é uma forma de ocupar o tempo e deixar as coisas ruins de lado.
Antes eu fazia umas coisas erradas. Agora não sobra tempo porque preciso me dedicar para ficar cada vez melhor”, garante Alisson. Há um ano ele ainda ensaiava os primeiros – mas elaborados - passos, suficientes para fazer dele, já na época, um dos maiores defensores do free step no Estado e o grande responsável pela manutenção de uma web rádio dedicada ao gênero. Em quatro anos de existência no país, três no Pará, o segmento conquistou um público fiel que se organiza em encontros e competições nos quais são julgados itens como inovação, sincronismo, perfeição e criatividade nas sequências. “Muita gente discrimina sem conhecer. Dizem que a gente não tem o que fazer e só fica matando formiga. Mas é só parar para reparar que acham bacana e querem até aprender”, desabafa o vencedor do I Campeonato de Free Step de Belém – categoria individual - Alan Patrik Martinho, 19 anos, o Deê Trikinho, que mora no bairro do Tapanã. A origem do free step gera discussão. Para alguns, a história começou na Europa, com o ‘hard step’, um estilo de música eletrônica criado em 1994. Outros, porém, acreditam que ele tenha surgido a partir do ‘charleston dance’, criado na década de 20. “O brasileiro viu, gostou e, como é criativo, adaptou à batida eletrônica.
Criou o ‘rebolation’, que virou free step depois da música baiana, que não tem nada a ver com o que a gente faz”, explica Deê Trikinho. FREE STEPPER A dança virou moda e lançou o estilo ‘free stepper’ de ser. Calças jeans bem justas, camisas sobrepostas e tênis skatista são unanimidade entre os dançarinos. No cabelo, impera o penteado moicano ou as franjas, e mesmo quem opta por um corte mais tradicional destaca-se ao usar acessórios como toucas, bonés ou bandanas. Um universo formado essencialmente por meninos, mas nada machista. A estudante Agnes Rodrigues, 18 anos, por exemplo, foi bem aceita e não fica para trás nas coreografias nem na ‘radicalidade’. “Meus cabelos batiam abaixo da cintura. Cortei porque eles atrapalhavam minha evolução”, explica a jovem que hoje mantém os cabelos cortados acima do ombro. Outra marca registrada é o ‘boom’ na internet. Alisson confessa que se sente meio famoso. “O free step traz uma certa fama pra gente. A gente posta vídeos no You Tube, coloca nas redes sociais e todo mundo vê. Isso gera uma proporção maior”, acredita. “O free step também ajuda na conquista. Acaba aproximando as meninas da gente, porque prá menina gostar do cara tem que ter um pouco de admiração”, anima-se Deê Trikinho. Um dos veteranos no free step em Belém, Júnior Corrêa, estudante de 17 anos, conta que ser reconhecido é comum. “Um dia, eu estava passando pelo bosque e me chamaram pelo nome, dizendo que tinham visto meu vídeo e era muito firme. Isso é muito bacana e acontece sempre!”, gaba-se o dancer, que não acredita que o estilo é apenas mais um fenômeno da internet que logo será esquecido. “Por mim, o free step não vai acabar nunca. Eu me imagino, daqui a um tempo, ensinando para os meus filhos e eles ensinado para os filhos deles”. EVOLUÇÃO Há quase três anos os passos livres são levados muito a sério pelos amigos que, com outros dois integrantes, formam o grupo ‘New Fabulous’. Descobertos pelo DIÁRIO no ano passado, os meninos cresceram, amadureceram, mas não se separaram da paixão. E o que a reportagem constatou como a febre do momento, em dezembro passado, mantém admiradores. “Em um ano muita coisa mudou nas nossas vidas. Algumas pessoas saíram do movimento, mas muitas outras entraram.
O hip hop tem 100 anos de existência, o free step tem só quatro e já faz o sucesso que faz. É só entrar na internet pra ver, não é passageiro não. Viemos pra ficar”, argumenta Trikinho, que do ano passado para cá se tornou um dos principais incentivadores do movimento que viu crescer. Atualmente, cerca de 15 grupos estão organizados na região metropolitana de Belém. Eles se encontram em batalhas e campeonatos realizados em espaços públicos, principalmente em praças como a Batista Campos e da República. “De um ano pra cá os passos evoluíram demais e não param. No ano que vem já vai ser mais ainda”, calcula.
Fonte: Diário do Pará
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